14 abril 2011
vou-me embora
te enrolei por muito tempo.
me menti por mais ainda.
aqui não sou de verdade.
não assumo opinião.
não alimento as vontades.
vivo a esfregar teu chão.
vou-me embora deste vício.
sem moral e compaixão.
fiz de tudo que é errado.
me tornei um belo cagão.
vou-me embora pra me achar.
e não me perder jamais.
vou-me embora pra Porto Alegre.
e lá pretendo ter paz.
outono
esfria
chove
chora
molha
empoça
enlameia
venta
seca
descabela
rebela
reinventa
levanta
encanta
dança
ilumina
esquenta
ameniza
alivia
suspira
sorri
e sonha
antes de dormir.
(Meu coração é Porto Alegre)
12 abril 2011
Despretencioso
- Isso foi criado (mesmo!) dentro de um ônibus. Inspirado em momentos antes, ainda na parada de ônibus. Numa sexta-feira chuviscosa. Pouco após meio-dia. A parada fica perto de uma escola, e algumas crianças ainda estavam ali, tomando chuvisco na mente, à toa. Afinal, era sexta-feira. E eis...que no meio da parada...Um senhor, muito parecido com aqueles peruanos que aparecem no meio do centro da cidade para apresentar as músicas de sua cultura. Mas, esse homem tinha estilo. Cabelo rabo-de-cavalo...e uma viola. De nylon. À tira-colo. Quando cheguei, ele estava tocando, despretensiosamente. E eu, muito admirado como sempre com os artistas de rua e principalmente com quem faz musica, fixei o olhar e curti o som. Fiquei do lado dele. Entre um dedilhado e outro... Ele começou a tocar o clássico do Dire Straits: "Sultans Of Swing". E comecei a viajar na vibe do cara... Á minha frente, pessoas... Transeuntes despretensiosos fugidios à chuva com seus guarda-chuvas. Mais à frente, o movimento caótico dos ônibus e carros. Ainda mais à frente... As gotas de chuva. E tudo isso numa paisagem cor de chumbo das nuvens... Ahhh, e o som... E eu viajando... Pensando na cidade... Olhando as gurias (tão... mas tão lindinhas) passando pra cá e pra lá... Pensando em como Porto Alegre é encantadora. Despretensiosamente, encantadora.]
Mas é nessa poesia que resguardo
A beleza da cidade
Que faz as vezes de um quadro
No olhar vívido, da multiplicidade
Onde cantam alegrias
Que a memória i'nda guarda
N'um bocó de poesias
Construída em cada quadra
A caneta que não cansa,
No papel que quase acaba.
Onde faz juras de lembrança,
E não para de mima-la
Neste ônibus tardio
o violeiro se despede,
Num dedilhar que não se mede,
E desse som que me arrepio.
Meu chão
A iluminação pública que entra pela janela do meu quarto não me deixa dormir;
Pilhas de trabalhos da faculdade, esperando serem concluídos, não me deixam dormir;
A ansiedade pela espera do dia seguinte, em que vou rever meus amigos, não me deixa dormir;
As gritarias e risadas dos bêbados dos bares às noites de sábado não me deixam dormir;
A emoção despertada pela peça de teatro assistida na Redenção no último domingo não me deixa dormir;
O violão e as cantorias desafinadas nas quintas-feiras não deixam os meus vizinhos dormir;
A minha cabeça girando, efeito da última bebedeira com os amigos, não me deixa dormir.
A Porto alegre, que nunca me cansa, não me deixa dormir.
07 abril 2011
Bailarina
31 março 2011
Novo formato
Atividades:
Desinibição e estímulo da criatividade
Leitura e discussão dos textos desenvolvidos e publicados no blog
Roda-Vivinha:
Entrevista com os participantes sobre suas produções textuais, seus estímulos e preferências literárias.
Além das fronteiras:
Saraus
Concurso de Poesia
Publicações
Interessado em participar? Mande e-mail para clubedaescrita@hotmail.com
01 janeiro 2011
Um programa sobre o Rei Artur
A cacofonia "revolta volátil, revoltavolátil, revol tavola til" na letra do funk a fez lembrar da távola famosa, que reavivou as mémórias de Merlin, Uther, Igraine, Morgana, Guinevere e do Rei Artur.
A idéia de um programa de TV novo, com uma visão menos idolatrada do primeiro Rei celta e sua corte era exatamente o que ela e seus colegas queriam produzir. Libertar sua mãe, suas avós, tias, amigas do martírio das novelas era um sonho de infância.
O alto orçamento, a falta de profissionais e a preguiça tornariam o projeto impossível - ao menos até que as verbas da TV da universidade fossem aumentadas e os chefes responsáveis pelas reuniões intermináveis fossem demitidos.
Adolf Hitler estava sentado no trem em direção a Berlim, onde se encontraria com seus companheiros do Partido Socialista dos Trabalhadores Alemães – NAZI. Fazia pouco tempo que engressara ao partido, mas já sentia que a ele pertencia há anos. Ali, descobrira que seu dom estava na fala - gostava de discursar nos comícios - e não no desenho, ou mais especificamente na arquitetura, como até então acreditava. Começou a aceitar essa idéia e isso fazia com que se conformasse com a atual reprovação no exame da Academia de Belas Artes. Esse era seu novo fascínio e era nisso que pensava quando algo lhe despertou.
Era mais uma manhã em que os trabalhadores amontoavam-se dentro dos vagões para se deslocar até as fábricas. No meio da multidão, um homem pedia passagem para as pessoas tentando chegar até a porta do trem antes que ela fechasse. As pessoas, mal-humoradas, trancavam o caminho do rapaz e, ao vê-lo de perfil, Hitler percebeu que o conhecia. Era Rudolf, o vizinho da casa ao lado onde crescera. Ao reconhecê-lo, Adolf quase gritou alto para que não abrissem caminho àquele judeu. Mas não faria isso, era homem de poucas palavras, falava apenas quando necessário e sabia que este ainda não era o momento.